Ruralidades: cartografia comunitária da memória e do património rural em Vila Verde
Diana Mendes
Sinopse:
O património rural resiste, em muitos casos, fora dos arquivos e dos museus, nas mãos, nas vozes e nas lembranças de quem o viveu diariamente. Assim, esta comunicação parte da criação do Ruralidades, um arquivo digital que nasceu de um projeto de Doutoramento em História na Universidade do Minho, desenvolvido em colaboração com a Casa do Conhecimento de Vila Verde, que se propõe, através da cartografia, a documentar, preservar e partilhar a memória rural do concelho através de fontes orais, vídeos e imagens.
Num tempo marcado pela aceleração da mobilidade, da urbanização global e pela falta de continuidade de algumas tradições, reunir os retratos, os ofícios e as narrativas de quem habita e habitou estes espaços rurais é, também, um gesto de resistência. O Ruralidades cruza, assim, duas dimensões do património, a material, presente na arquitetura vernacular, nas técnicas agrícolas e nos objetos do quotidiano que são descritos e apresentados através de visitas guiadas e os saberes imateriais, transmitidos no arquivo digital através de retratos dos saberes, dos ofícios e das memórias orais que são transmitidas de geração em geração.
Cada testemunho recolhido em forma de retrato do rural, visita guiada, ou vídeo criativo, representa uma prática registada no mapa cultural digital do concelho, que pretende transformar as memórias individuais, dispersas e ameaçadas de esquecimento, em património comum, capaz de ser divulgado e acessível a investigadores, à comunidades local e às gerações que no futuro habitarão estes espaços.
Esta comunicação procura, assim, refletir sobre o modo como as ferramentas digitais, quando colocadas ao serviço do património, da escuta e da proximidade, permitem reviver um mundo rural em transformação, resistir à sua diluição e reinventar as formas como uma comunidade se reconhece na sua própria história.
Biografia:
Diana Mendes é licenciada em História, pós-graduada em Ciências da Comunicação e mestre em Património Cultural pela Universidade do Minho. Frequenta o Doutoramento em História, vertente de Património Cultural, na UMinho com bolsa FCT, no âmbito do qual está a desenvolver o Ruralidades, um arquivo digital de memória viva do concelho de Vila Verde, em parceria com a Câmara Municipal e a Casa do Conhecimento. É investigadora no Lab2PT – Laboratório de Paisagens, Património e Território; e no In2Past. Os seus principais interesses de investigação incluem a aplicação de tecnologias ao património, o envolvimento comunitário, as narrativas digitais e a educação patrimonial.
A Central da Memória: Um Laboratório Vivo com a comunidade de Britelo
Ângela Calisto
Sinope:
O património industrial resiste, quase sempre, fora dos arquivos e dos museus, nas vozes e nas lembranças de quem nele trabalhou. Esta comunicação parte de «A Central da Memória», um Laboratório Vivo construído com a comunidade de Britelo, que documenta, preserva e partilha a memória da antiga Central Hidroelétrica de Paradamonte/Lindoso através de fontes orais, imagens e registo audiovisual, articulando-se com um projeto de doutoramento em curso na Universidade do Minho, em colaboração com a Casa do Conhecimento de Ponte da Barca.
Num tempo marcado pelo despovoamento, pelo envelhecimento e pela ruína do edificado, reunir os rostos, os ofícios e as narrativas de quem ali viveu é, também, um gesto de resistência. O projeto cruza duas dimensões do património: a material, nas infraestruturas que um trilho do património industrial virá a percorrer, e a imaterial, nos saberes e nas desigualdades que só os testemunhos guardam.
Procura-se, assim, refletir sobre o modo como as ferramentas digitais, ao serviço da escuta e da proximidade, permitem reviver um lugar abandonado, resistir ao esquecimento e reinventar o modo como uma comunidade se reconhece na sua própria história.
Biografia:
Ângela Calisto é doutoranda em História (especialidade em Património Cultural) na Universidade do Minho, com investigação financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). É mestre em Património Cultural pela mesma instituição e licenciada em Gestão Artística e Cultural. Os seus interesses de investigação centram-se nas aplicações do audiovisual ao Património Cultural, no desenvolvimento territorial, no turismo cultural sustentável, no envolvimento comunitário e na educação patrimonial.